terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A Amadora arte de Viajar!


Desde que me conheço como gente, conhecer outros paises sempre foi meu objetivo de vida. Não só para poder dizer "Caminei por entre as pirâmides" ou "Andei de camelo". Nada disso.

Viajar para mim é muito mais que isso. É a chance de poder entender como as pessoas vivem de maneira tão diferente do que estamos acostumados aqui no Brasil, é poder conhecer outras culturas, sentir outros sabores e respirar novos ares.

É sair desta massa ignorante e alienada do qual 90% dos brasileiros fazem parte e ampliar minha visão de mundo.


É um crescimento muito mais pessoal do que de aquisição material (fotos, souveniers, etc).


Eu lí este texto aqui, e não pude deixar de postar porque descreve exatamente o que eu penso sobre o assunto:

“Turismo é coisa de gentinha”, escreveu Millôr Fernandes, provavelmente depois de se deparar com uma dessas hordas de americanos ou japoneses ou brasileiros com máquinas fotográficas, sacolas e um permanente olhar de espanto, como que surpreendidos e ameaçados pela variedade e complexidade do mundo. Mas o problema não é só esse turismo fast-food, essas viagens e excursões que parecem feitas para dizer que foram feitas – para contar aos íntimos, na volta, que você andou de gôndola ou subiu na Estátua da Liberdade, mesmo que tenha ficado meros dois dias em Veneza e confundido Nova York com Miami. Por trás de tudo isso há o espectro do romantismo, a idéia de que estar nesses lugares fará de você outra pessoa, a expectativa de que mudanças se dão magicamente como Byron em seu “santuário”.

Por mais que queiram escapar ao lar, resta uma vontade de voltar rápido a ele, por isso o turista parece sempre tenso e ansioso. É como se toda rotina precisasse dessas fugas e refúgios para depois se fortalecer ainda mais. Nesse jogo de compensação, quem fica de fora é exatamente o conhecimento, a imersão mais lenta porém mais duradoura num ambiente estranho que, muitas vezes, pode até parecer estranhamente familiar. Acho curioso que as pessoas viajem para os lugares com nada além de algumas informações genéricas ou utilitárias que qualquer guia de bolso ou matéria de jornal traz. E que, uma vez ali, não façam pelo menos duas coisas fundamentais: ler a imprensa local, para não dizer a literatura; e andar a esmo, flanar, como a chutar pedrinhas pelas ruas. (Todo bom viajante é um chutador de pedrinhas imaginárias.)
Ler e caminhar, ambos sem muita “objetividade”, fazem a diferença entre o bom e o mau turista. É com olhos livres e sapatos gastos que se faz uma viagem marcante. Não basta visitar os lugares manjados e comer os pratos típicos; é preciso estar aberto ao novo, correr os riscos, ter a paciência de não sair catalogando o que vê como “maravilhoso” ou “decepcionante” e nada mais. Outra coisa: não se visitam países, mas cidades e regiões; o mundo não cabe num roteiro de “lugares para conhecer antes de morrer”. Também não vejo sentido em não alternar o estilo de viagem, das mais sofisticadas às mais rústicas, das mais próximas às mais distantes, das mais breves às mais longas. Certa hierarquia é necessária, mas os acasos – viagens para países que não eram prioridade, mudanças de rotas decididas no último instante – devem sempre ser bem-vindos, porque o inesperado é o ingrediente mais importante de qualquer viagem. Agora, voltar a um lugar que se conhece é essencial, como reler um livro que nos absorveu."

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